terça-feira, 5 de junho de 2012

GOLFINHO, JOELHINHO, DUCK DIVE



Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o  primeiro desafio de um surfista não é ficar em pé na prancha sobre a onda, e sim,  passar com a prancha por debaixo dela.

No Brasil, esse movimento de furar a onda com a prancha,  é conhecido como "golfinho" ou "joelhinho" e é a primeira manobra que um surfista deve aprender e aplicar com perfeição,  para uma boa performance em um dia de boas ondas.

Em inglês, essa manobra é conhecida como "duck  dive" (o "mergulho do pato") pois imita a técnica desse animal em lançar seu corpo sob a água aproveitando a energia em movimento, voltando com precisão á superfície.


 O duck dive consite em 3 movimentos:


1- Remar bem forte, com o bico para o outside,  diante de uma onda que pretende quebrar na sua cabeça - Mesmo sentindo vontade de virar o bico, ou soltar a prancha, esse é o momento de remar para ela buscando a energia espiral que vai ajudar seu corpo a passar de baixo do cilindro bem na zona de impacto.

2- Agarrar as duas bordas e baixar o bico o mais fundo possível com os dois braços. Na sequência usar os joelhos, ou os pés, para afundar a rabeta da prancha.

     foto: Simon Williams

3- Mergulhar como o pato, primeiro o topo da cabeça, depois peito, quadril e pernas até grudar na prancha, depois segurar o bico, apontar para a superfície e esperar que a prancha te puxe de volta.

Se essa técnica for executada aproveitando a energia espiral, ao invés de te varrer a onda vai alavancar sua corrida rumo ao outside. Mesmo existindo essa energia á favor, é necessário muita força nos braços e a respiração adequada para encontrar o timming ideal para furar as ondas em um dia de swell grande, mas se existe uma maneira de se dar bem nesse dias, fica a dica: invista na perfeição do seu duck dive.

foto : Murray Mitchell

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Momento Azul

Quem nunca parou no outside ensolarado, depois de voltar de uma onda bem surfada e pensou " Como eu sou abençoada por estar aqui", "Que sorte eu tenho de de estar nessa hora, nesse lugar, surfando essas ondas, com vista para a mata Atlântica, quase sem ninguém em volta".

     Sununga- Ubatuba - Brasil

Pois bem, esse bem-estar que nos faz sentir plenos estando aqui e agora, que nos faz sentir totalmente dentro do "momento já"* é a melhor recompensa desse ritual que chamamos Surf.

Seja no Atlântico sul, no Atlântico norte, no Pacífico quente, no Pacífico gelado, na perfeição do Índico ou em alguma remota ilha polinésia, o Surf é um ato que mexe com todas as nossas escolhas de vida, que muda nossos hábitos, que transita pelos sonhos e molda nosso corpo ás suas necessidades. Quanto mais nos dedicamos ao surf, mais ele nos trás bençãos de volta, e assim suge um caso de amor.


"Todo surfista é um apaixonado pelo mar" e esse amor é a essência da nossa religião**, é o nosso contato com o divino"  E assim, criamos o nosso próprio templo ao ar livre, onde agradecemos todos os dias pela simples possibilidade de estar vivendo esse momento, de corpo e alma, envolvidos no líquido primordial da Terra que irradia de luz azul o espaço.

(citando *Clarice Lispector)
(conceito de religião: **Alma Surf)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Slater, 19 anos, promessa do surf!

Kelly Slater em 1991, antes de ganhar seu primeiro título mundial em 1992

                         Revista People, julho de 1991


Nessa nota a mãe de Kelly diz estar cansada das fãs do surfista mandando cartas perfumadas, etc... e diz que sua conta telefônica é alta porque o filho namora uma garota na Califórina. Além da versão da mãe sobre como é ter um filho tão lindo e talentoso a revista dá a voz para Kelly que se mostra um garoto humilde, bem longe do que seria uma celebridade,  ao dizer: "Você tem que respeitar o Oceano. Você nunca pode pensar que pode vencer a Mãe Natureza" Palavras sábias de um garoto de 19 anos que veio a se tornar o surfista mais influente de todos os tempos. 

Retrô NEWS - Notícia boa não fica velha!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Bikini Moment - Julia Ribeiro de Ricca




Júlia, 20, veste a série "dourados" da Ricca da vó biqínis!
Pratica escalada, bike e dança do ventre
Ensaio:  Manjula Amrita. Vale do Capão - BA - Brasil
Câmera: Canon 60D

Você tem fotos aproveitando a vida com seus biquínis favoritos? Quer compartilhar no blog da Surfing Moon? Envie para surfingmoonmagazine@gmail.com


sábado, 26 de maio de 2012

Surftrip - 5 motivos para surfar no Peru

     Paisagem "lunar"do Peru - Foto - Diego Fávero

Litoral do Peru, oceano pacífico. Destino de muitos brasileiros em busca de ondas extensas,  perfeitas rampas de ondas viajantes com período longo,  abrindo em point brakes, beach brakes, reef brakes, rock points, com pouco crowd, quebrando de todos os jeitos em todos os lugares. O Peru respira Surf.

É o primeiro destino internacional para muitos surfistas profissionais mirins e também é  a primeira parada para muitos freesurfers, antes de viajarem em busca de outras ondas famosas espalhadas pelo mundo.

5 motivos de empreender uma viagem ao Peru

Você sempre vai surfar!

As ondas são muito constantes em regiões como Punta Hermosa a 1 hora de Lima, em direção ao Sul. Lá existem picos clássicos como Pico Alto (maior onda do Peru) Punta Rocas, Senioritas e Caballeros. Pegando a rodovia Panamericana rumo ao sul, em torno de uma hora já se pode encontrar outras ondas de qualidade como Puerto Viejo e San Bartollo.

Ótimo para treinar cutbacks

Muitas ondas da costa sul do Peru são potentes e radicais mas não são tubulares. Como são ondas extensas quebrando para os dois lados, não existe lugar melhor para treinar manobras, tendo chance de executar repetidas vezes o mesmo movimento no mesmo tipo de onda. Ótimo momento para aperfiçoar o estilo. É recomendável que se contrate um videomaker para ajudar no processo.

Você "corre o risco" de  surfar a onda mais extensa do mundo

Se você estiver no sul do Peru e ficar sabendo que vai encostar um forte swell de SO, você pode preparar suas malas e voar, ou dirigir até Chicama. É o sonho de qualquer surfista, surfar uma esquerda perfeita, manobrável, que abre generosa, podendo-se matemáticamente surfar até 24 minutos a mesma onda.
  
Tubos insanos

Se o seu negócio é tubo, siga mais ao norte. Já na região de Trujillo, já se encontra a célebre esquerda tubular de Pacasmayo, além de Huanchaco e Peamapu, todas esquerdas de alta qualidade que também quebram com swell de S/SO, só que bem mais constante que Chicama.  Seguindo ao norte encontra-se outra célebre onda, Lobitos, com outros bons picos ao redor, todos já pegando os swells de N/NO.

No extremo norte, perto da fronteira com o Equador, na região de Mâncora, se encontram mais tubos de esquerda, inclusive a famosa onda de Cabo Blanco, com fundo raso de pedras, bem como sua irmã Panic Point. Nessa região a melhor estação é o verão pois coincide com os swells de N/NO vindos do Hawaii (inverno no hememisfério norte). Por esse motivo a água também é tem a temperatura um pouco mais elevada em Mâncora que o resto do país. O litoral extremo norte é também conhecido como  Caribe do Peru.

A comida boa

Farta em peixe fresco e frutos do mar e variedades, tudo isso pela metade do preço do Brasil. Existem bons restaurantes sofisticados e populares.

Atenção - Para garotas de ação!

O Peru é um lugar lindo mas não tem a mesma natureza que o Brasil, a água é gelada, as ondas estão situadas em pleno deserto e muitas praias não tem os mesmos atrativos que no Brasil. Portanto se você não vai para surfar, ou fotografar, ou realizar qualquer tarefa relacionada ao surf, pode não ser o melhor destino da Terra. Caso esteja pensando em começar a surfar, uma viagem ao Peru é um excelente motivo para dar início a um grande sonho.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

SURFCINE - Video Lab - Skimfonia

Skimfonia: Renato Lima na SunungaFoto - Skimtal

Video Lab é um espaço experimental dentro da Surfing Moon mag, para exibir os vídeos e pirações da galera. Filmou um dia de surf? Gravou uma entrevista exclusiva? Criou um stop motion com suas fotos em ação? Faça uma edição descolada e envie para a SM. Basta que o filme tenha temáticas relacionadas com o lifestyle do surf.

Lembre-se de que a idéia é avançar na linguagem do vídeo, experimentando novos formatos, tentando saír do "lugar comum"de videos de surf. Ninguém vai julgar se o vídeo é bom ou ruim, o que importa é a ousadia em experimentar com imagens...

Por isso se joga!

VIDEO EM DESTAQUE

O primeiro vídeo experimental da mostra Video Lab,  foi realizado pela Wahine Films, (myself) em parceria com a galera da Skimtal ( Robertinho Peres, Iran Santos, Aaron Austin, Saru Narayana, Dr. Delirium).  Trata-se de algumas sessões de Skimboard filmadas na praia da Sununga- Ubatuba - SP- Brasil.


Estudo: A proposta era "orquestrar" os movimentos do Skim em uma sinfonia de imagens. Será que a deu certo?

Você tem um vídeo que gostaria de exibir no Video Lab? Envie URL do vídeo + breve apresentação do realizador (a, s)  para o e-mail surfingmoonmagazine@gmail.com.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Flores e Atitude

Flores naturais no cabelo estão sempre na moda. Basta que você esteja pronta para expor o seu lado mais romântico. Mas usar flores não é somente um símbolo de amor e inocência. Elas também são selvagens, cheias de atitude e fazem parte da história da humanidade.

                                   Noh Gallery

No antigo Hawaii, as flores indicavam o "estado civil"da garota. Atrás da orelha direita, solteira, da esquerda casada,  ou seja, flores como meio de comunicação.

                                          filme: Tabu 1931

Mas o Hawaii era uma terra de muitas flores e havia flores para quase tudo: cerimônias de casamento, rituais, danças, para expressar respeito, honra, alegria. Cada  tipo de flor,  trazia sua medicina e seus encantos.

                                  Flor de lótus do Hawaii

Enquanto isso no no mundo "civilizado" as flores sumiram do mapa durante um bom tempo. Apareciam artificiais ou impressas em tecidos, mas vivas, jamais. A repressão da mulher foi também a repressão das flores naturais como ítem de beleza. Provavelmente porque elas afloram uma espécie de sensualidade sutíl em quem as veste e mudam o humor dos que a contemplam. Feitiço.

"O mundo muda e a flor continua sendo uma grande aliada da beleza da mulher".  

  http://www.flickr.com/photos/cowboyshaunee/3731032292/

Nos anos 60, as flores voltam ás ruas com o movimento hippie e anunciam o início de um  novo mundo,  com mais liberdade de atitude para todos, principalmente para as mulheres . Viva o Flower Power. 



Voltando ao Hawaii, certa vez eu li que esse arquipélogo foi o único local da Terra, onde existem relatos de se ter alcançado a felicidade plena. O verdadeiro espírito de Aloha.


Viviam em um lugar incrível (e sabiam disso), tinham uma sociedade organizada e pacífica, vestiam-se com folhas e flores ao invés de usarem penas de aves e peles de animais,  como outros povos da época.

E quando se sentiam entediados, pegavam suas táboas e iam deslizar nas ondas de Waikiki, vestindo seus Leis de flores no pescoço ou em volta da cabeça.

Naquele tempo era assim. Pelo menos é assim que a gente imagina o "Tempo das Flores".

 
                                   Britney estilo beach girl