quinta-feira, 17 de maio de 2012

Einstein e as ondas

Onde é gerada a energia das ondas do mar?

                                                Einstein praticava navegação

Essa é uma pergunta que só foi esclarecida no século XX, graças aos trabalhos do físico alemão Albert Einstein. Durante toda história da humanidade nunca se soube como as estrelas produziam energia, e tal desafio só foi solucionado com ajuda da famosa equação proposta por Einstein em sua Teoria da Relatividade.


Essa equação mostra que uma pequena quantidade de matéria pode produzir uma enorme quantidade de energia.

Veja o exemplo do nosso Sol:

O Sol é composto basicamente de Hidrogênio, a forma mais comum de matéria no universo. Devido ao efeito massivo da gravidade solar, ocorre em seu núcleo, a chamada fusão nuclear, sob intensa gravidade a matéria encontra-se em alta temperatura (temperatura = velocidade das particulas) e altas pressões. Isso faz com que quando os átomos de Hidrogênio se colidem, eles se fundem, formando átomos de Hélio.

Contudo, existe uma pequena diferença entre as massas dos hidrogênios que originaram o hélio. Essa pequena diferença de matéria se transforma em grande quantidade de energia, assim como propõe a equação E= mc2 ( energia = massa x velocidade da luz ao quadrado)

Parte dessa energia consegue escapar do Sol sobre a forma de ondas eletromagneticas (luz). Essas ondas são capazes de se propagar no espaço, atingindo a Terra.


Como os materiais da Terra tem carcteristicas caloríficas especificas, ao absorver e refletir essa energia, aquecem a atmosfera da terra de maneira diferente gerando sistemas de alta e baixa pressão fazendo com que o ar atmosférico entre em movimento.

Essa pressão atmosférica exercida sob a superfície dos oceanos geram as ondas tão desejadas pelos surfistas.

foto ASP via getty images

matéria especial para Surfing Moon, com o Psiquiatra e AstroFisico amador Dr. Catalino Los Reis



SURF CINE - Um dia em Waimea bay

Video postado pela Hessfilms, garimpado pela Surfing Moon no Youtube, trás a corajosa Vanina Walsh, que na epoca com 11 anos de idade,  decide encarar 20 pés de onda em Waimea bay,  com seu parceiro de Tandem surf, Bobby Friedman.

Vale ressaltar a sincronia e a confiança mútua, visível nessa parceria. Os movimentos dizem tudo.


Hoje aos 15 anos, Vanina faz parte do time da Roxy, é uma surfista completa, sendo apaixonada pelo velho Old Style do surf no Hawaii.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Especial Feminino - Billabong Rio Pro 2012

surfing moonStephanie Gilmore, Arpoador. Billabong Pro Rio 2012

A fórmula para garantir o público do surf feminino aínda não foi descoberta e a audiência continua muito baixa comparada a do surf masculino. No entanto, algumas regras universais do drama, servem para prender o espectador até o fim da história.

A etapa feminina do Billabong Pro Rio, reuniu alguns desses elementos dramáticos que tornam um campeonato emocionante até o final.

surfing moon
1- Duelo de titãs: Antagonistas,  as aussies Stephanie Gillmore (líder do ranking) e  Sally Fitzgibbons (segunda no ranking) teriam se encontrado na grande final  se Stephanie,   não tivesse caído  nas quartas de final,  diante de uma inspirada Coco Ho.

2 - Ressurge uma estrela: Acompanhada pelo pai, o lendário Michael Ho, a competidora Coco parecia "non-stopble" rumo á conquista da etapaVinda de uma série de resultados ruins, ela também lutava para recuperar a posição entre as top 10 do mundo.

3 - Fator surpresa: A novata do Hawaii Alessa Quizon,  chegou devarzinho e foi ganhando destaque na etapa. A garota ganhou seu "wild card" (direito de participar como convidada do evento de elite) nas triagens da competição e mostrou que merece estar entre as melhores do mundo,  perdendo apenas nas semi-finais para Coco Ho. Em sua participação meteórica,  foi responsável por deixar o  Hawaii com 3 representantes nas finais, que até então estavam sendo dominadas pela Austrália.

surfingmoon.com
    Alessa Quizon, Arpoador/RJ

  A Semifinal Havaiana - Coco Ho X Alessa Quizon

Havia muia expectativa para essa bateria puramente havaiana. De um lado Coco Ho em alta performance. De outro a representante da novíssima geração Alessa Quizon, destruindo tudo o que via pela frente.

Alessa entrou disposta, imprimindo logo o rítimo,  com um surf muito plástico. Sua posição como "wild card" a permitia surfar livremente, sem nenhuma pressão emocional. Mas Coco tinha o peso da responsabilidade de batalhar pela etapa para se manter confortavelmente no tour e acabou derrubando o estiloso "nada a perder" da novata com a manobra mais radical da bateria.



     Coco Ho,  na briga pelo título da etapa

 A Semifinal de Vice-líders - Sally Fitzgibbons X Carissa Moore

 No ano passado, com Stephanie Gilmore fora da briga,  Sally e Carissa foram antagonistas na briga pelo título do  WCT 2011 que acabou coroando Carissa Moore como a primeira havaiana campeã mundial em 30 anos de história, desde Margot Godfrey-Oberg em 81.

Agora em 2012,  as duas continuam na briga pelo título, sendo Sally em segundo e Carissa em terceiro, com Stephanie na liderança.

     Carissa Moore, quebrando tudo!

Foi a bateria mais tensa até então,  com Carissa tendo basicamente sua última chance de encostar em Sally e disputar o bicampeonato mundial. Sally por sua vez,  precisava da vitória  na etapa para literalmente colocar a sua compatriota Stephanie Gilmore contra a parede e conquistar uma  posição muito próxima do tão sonhado título.

Carissa demonstrou calma, jogando manobras extremas liderando a bateria por um bom tempo com duas boas ondas na casa dos 7 (7.33 e 7.83).  Sally buscou encontrar as ondas certas surfando no seu estilo super clean, o que lhe deu a maior nota da bateria, um 8.

A nota foi insuficiente para bater Carissa, mas a deixava vulnerável pois Sally aínda tinha a chance de trocar um 5.33, tarefa nada impossível para miss Fitzgibbons que logo encontrou uma onda da série e conseguiu virar o jogo, avançando para a final com Coco Ho.

A Final  - Hawaii X Austrália - Coco Ho X Sally Fitzgibbons

Sally impediu a final havaiana entre as amigas Carissa Moore e Coco Ho, mas passou um sufoco na final com Coco Ho segurando a vitória com um high score (8.43). Faltando apenas 8 minutos para o fim, Coco usou erroneamente a sua prioridade para surfar uma onda que não foi suficiente para trocar um 5.40 e deixou Sally com a prioridade que ela usou faltando 3 minutos para o final onde conseguiu uma onda grande o suficiente para dar o troco em Coco, com um high score á altura e garantir sua vitória na etapa.


surfing moon photo

    Sally Fitzgibbons, brilha com vitória no Brasil

A grande vitória

A vitória de Sally no Billabong Pro Rio,  foi um resultado estratégico na definição do título feminino, de 2012.  Com a conquista dessa etapa, Sally mostrou ter foco de campeã, encontrando a líder Steph no topo (que estava isolada na liderança do WCT) faltando apenas duas etapas do fim da temporada e selando assim,  a rivalidade "homem a homem" entre a dupla australiana,  na disputa pelo título mundial de 2012.

Mas além da disputa acirrada pelo título, existem muitas surfistas boas quebrando no tour, a maioria com surf o suficiente para vencer uma etapa. Faltam duas etapas até o fim da temporada 2012 feminina e muita coisa pode acontecer.

Além disso, várias surfistas brilham em uma só etapa do mundial, como essa do Rio onde se destacaram Sally, Coco, Carissa e Alessa, mas tiveram outras performances geniais como a da americana Lakey Peterson que teve a nota maior do evento, Steph Gilmore e Laura Enever em grande estilo, e a francesa Pauline Ado,  comemorando sua melhor participação no tour em 2012.

Afinal, mais do que uma grande vitória, o publico quer uma grande história!

Matéria Cassia Bianco,  fotos Zeca,  produção Letícia Portella, especial para Surfing Moon surfmag

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Estilo de Surf Joyce Hoffman 1966

Joyce Hoffman, naceu em 1946 na Califórnia e foi campeã mundial de surf em 65 e 66. 

Durante uma década ela foi a única mulher a surfar regularmente a massiva onda de Sunset, no Hawaii. Em 68 recebeu aquela que seria sua maior honra: "Ser a primeira mulher documentada a surfar a onda de Banzai Pipeline" A onda mais famosa e perigosa do mundo.

Essa foto é de Ron Stoner, tirado para May Surfer, no campeonato mundial de 1966, em San Diego, Califórnia.


  Saca só com que estilo Joyce manda o seu hang five! Postura de uma verdadeira lenda do surf.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Soul Surfer - O filme

Histórias de superação no esporte são muitas porque acabam sempre sendo contadas no final. Mas não quer dizer que sejam comuns.

O Filme Soul Surfer, é baseado na experiência peculiar da surfista Bethany Hamilton, que se tornou uma inspiração para milhões de pessoas pelo mundo.

A garota é um exemplo de que a limitação é um fator muito mais mental do que factual e o filme,  que leva o nome do seu livro de memórias,  é uma verdadeira injeção de motivação para todos aqueles que desejam muito algo,  do fundo da alma.



No dia 31 de outubro de 2003,  ela foi atacada por um tubarão e perdeu seu braço esquerdo. Ficou viva por sorte e por ter tido força de colaborar no próprio salvamento, executado com precisão pelo pai e irmão da melhor amiga Alana.

Na época Bethany já despontava como surfista profissional, promessa da nova geração no Hawaii. Mas mesmo frente a arrasadora tragédia, a garota de então 13 anos manteve em mente um único foco: continuar surfando. Com ajuda de sua família, todos surfistas, Bethany voltou ao mar apenas um mês após o acidente, mas teve que adaptar seu surf ás novas condições do seu corpo, tendo que basicamente reaprender o equilibrio e reconfigurar o cérebro para os novos desafios.

O melhor do filme é que Bethany é a dublê das suas próprias ondas como personagem do filme Soul Surfer. E ela "quebra tudo".

Hoje Bethany está bem ativa no surf de alta performance, patrocinada pela Rip Curl, dividindo sua experiência com aqueles que mais precisam e fazendo o que todo surfista mais gosta de fazer: Surfar ondas perfeitas pelo mundo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Surfing Moon - A influência da Lua sobre as Marés

Ancestrais dessas terras, ou seja, nativos de boa parte dos territórios da costa brasileira (principalmente na faixa litorânea que vai de Santos até Niterói), os Tupinambás já associavam o movimento das marés ás fases da Lua.

Segundo o astrônomo e pesquisador do céu em culturas indígenas Germano Afonso,  em 1614 Claude d'Abbeville relatou "Os Tupinambás atribuem á Lua o fluxo e refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova, ou poucos dias depois".

Além disso, diz Germano, existiam os mitos indígenas sobre o fenômeno da Pororoca, que ocorria na Lua Cheia ou na Lua nova, trazendo uma grande onda,  do mar para os rios volumosos da Amazônia, derrubando árvores e embarcações, o que demontra o conhecimento pelos nativos, da relação entre marés e as fases da Lua.

wahine films
                         
(Surfing Moon) Mas Germano, afinal, a Lua influi ou não no movimento das Marés?

Em 1632, Galileu Galilei escreveu erroneamente  que não precisava recorrer ao movimento da Lua para explicar as marés pois para isso bastava os movimentos de rotação e translação da Terra. Em 1687, Isaac Newton explicou corretamente que a causa das marés é a atração gravitacional da Lua e do Sol sobre a superfície da Terra, sendo a Lua a maior responsável.

Assim muito antes dos Europeus os indígenas já conheciam a influência da Lua sobre as marés.

Os indígenas que vivem no litoral associam as fases da lua e consequentemente as marés, ás estações do ano,  para pescaria artesanal. Segundo eles o camarão é pescado entre fevereiro e abril, nas marés altas de lua cheia. Já o linguado por exemplo, é no inverno, nas marés de quadratura (lua nova e minguante).

Bem, com essas informações pode-se entender a importância da observação constante dos movimentos do mar por onde se deseja surfar ou navegar.

E por uma perspectiva mais mística, a constatação de uma força original feminina lidando diretamente com a respiração ativa de todos os oceanos sobre a Terra.

Jacqueline Silva - A Pioneira

Jacqueline Silva pode ser considerada a surfista de maior destaque na história do surf feminino no Brasil. Participante dos mundiais desde 1997, é hoje a surfista mais antiga no tour, tendo sido vice-campeã mundial em 2002. Jacque também foi a primeira brasileira a ser bicampeã do WQS, divisão de acesso da elite mundial do surf.

Original da ilha de Santa Catarina, ou Florianópolis, meca do surf brasileiro, Jacqueline tem a história clássica da menina que surfava tão bem que disputava campeonatos de base com os garotos da sua idade. Incentivada pelo irmão,  Jacqueline começou a cair na água com uma prancha de isopor até chamar a atenção de surfistas e empresários locais. Depois de ganhar a sua primeira prancha de fibra, ninguém segurou mais essa garota, que confirmando as expectativas, tornou-se a primeira brasileira a ter uma carreira consistente como surfista profissional, abrindo portas para muitos outros talentos que se seguiram como Silvana Lima, Bruna Shmitz, entre outras.

Quem conhece Jacqueline comenta de sua disciplina, determinação e amor ao esporte. Quem tem a chance de vê-la surfar pode dizer que é show de surf garantido e muitas vezes quando ela chega em algum point,  outros surfistas saem do mar só para vê-la surfar. Tem uma linha de surf perfeita, é agressiva nas manobras, sabe dominar como poucas ondas grandes e pequenas sem nunca se deixar-se intimidar pela primeira dificuldades, tendo superado sem dramas,  momentos difíceis como recuperação física e falta de patrocínio. Jacque além de talentosa não é mulher de desistir dos seus sonhos, o que faz dela uma surfista completa.

Hoje ela é patrocinada pela Star Point, segue no "dream tour", localmente é ativa nos movimentos de profissionalização do surf e gosta de dividir sua experiência com as novas gerações. Talvez por todas essas qualidades, ela tenha se tornado a principal referência entre as garotas que desejam seguir a carreira de surfista no Brasil.

Jacqueline Silva está reestabelecida de um acidente de carro que sofreu na Austrália em 2011, quando estava posicionada entre as top 10 do mundo,  e segue no WCT em 2012,  buscando aínda acertar o seu rítmo mas já prometendo muitas surpresas e surf de qualidade para quem acompanha as competições.